quarta-feira, 29 de julho de 2015

Os entendidos no ramo da literatura desaconselham a marcação precisa do tempo. Dizem que os bons escritores são capazes de preencher um instante com a descrição detalhada da cena. Mal sabem os entendidos a falta que faz um intervalo cronológico em algumas narrativas. Hoje, por exemplo. Convidei a família para apreciar um novato na culinária doméstica: arroz com vôngole. Espetáculo! Cebola, alho, pimentão amarelo picados no bico da faca. Tomate sem pele, azeitona em lascas, açafrão espanhol para colorir. Vinho branco para acentuar o sabor e um perfumado caldo de legumes caseiro para cozer os ingredientes. Prato para paladares refinados, não fosse a presença de criancinhas pentelhas, com cara de nojo, para a iguaria feita com tamanha dedicação. "Eca! Não gosto dessa comida!" A idéia inicial seria matá-los (de fome), mas diante do sol, da cerveja gelada e da promessa dos instantes de paz degustando o prato, aceitamos buscar um frango assado no boteco da esquina. Foram exatos dois minutos entre a batida na porta do carro e a entrada na cozinha. Apenas dois minutos; tempo de fazer um filho, explodir uma bomba nuclear, passar o ponto do camarão. O que de mais grave poderia acontecer em dois minutos?! Bom, alimentamos os famintos, oferecemos eletrônicos sem restrição e demoramos na refeição. Comemos e repetimos até a ultima conchinha ficar vazia. Depois teve a sobremesa, o café, a arrumação da cozinha, o cochilo comunitário, a visita dos vizinhos. Já prestes a dormir, lembro de pegar o carregador de celular esquecido no carro. Surpresa! O frango deixou rastros, odores, fantasmas maquiavélicos impregnados por todos os cantos do carro. PQP! Certa de que o perfume da semana lembrará o almoço de domingo, deixei os vidros escancarados. #tomaraquenãovenhagatos #senãosóvaipiorar

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