quarta-feira, 24 de abril de 2013

Cabelo branco


Hoje pela manhã, entre uma escovada e outra, me dei ao trabalho de contar quantos fios de cabelos brancos moram na minha cabeça. Para o meu espanto contabilizei dezoito deles. Embora esse seja um número cheio de significados metafóricos e cabalísticos, para mim indica apenas que estou envelhecendo. Não bastasse a descoberta, me dei conta que a maioria mede o mesmo que o fio mais longo que possuo.

Acompanhem meu raciocínio: um fio cresce em média 1 cm por mês, minha parca madeixa tem um comprimento mediano de 25 cm, o que me faz concluir que esses intrusos habitam meu cocorôco há pelo menos 2 anos. Que sacanagem! Falta de respeito, chegaram sem avisar, sem pedir licença, não houve planejamento estratégico, gestão de risco, nada. Puro crescimento urbano desordenado. Chego a desconfiar que alguns fios (castanhos) partiram em protesto a invasão. Ou talvez por receio de serem contaminados. Sei lá! Totalmente compreensivo.

Decidi tirar satisfação, era o mínimo a fazer. Bando de covardes! Responderam que a culpa não era deles, acusaram uma tal de célula chamada de melanócita. Apertei os caras, queria informações mais precisas, quem era, morava onde, enfim ... dados que me ajudassem no processo de investigação. O que soube é que dividem o mesmo território, ou seja, meu corpo e mais, que durante o processo de divisão de tarefas (aquele que acontece quando somos gerados), essas pessoas ficaram responsáveis por cuidar da cor do cabelo, da pele e de tudo mais que tiver tonalidade no corpo humano. Questionei porque não estavam fazendo seu trabalho adequadamente, mas me responderam que estavam cansadas, pleiteando a aposentadoria.
Entrei em contato com o sindicato e a orientação que recebi foi procurar um salão de beleza para tingir os cabelos. Chegaram a sugerir uma medida de castanho claro 5.0 com nuances de loiro acinzentado natural 7.2. Que audácia!

Tentei encontrar um lado positivo nisso tudo e perguntei aos melanócitos (que nome, hein! Deve ser por isso a revolta) se ao menos minha pele também ficaria alva, sem aquelas manchinhas indesejáveis que pegaram carona nos pêlos brancos? Disseram que não; que prestes a se aposentarem, eu deveria reforçar a segurança patrimonial e usar protetor solar 60 ao invés do 30, pois a presença  das máculas (pois, é, outro nome bizarro, quem era o escrivão de plantão quando foram batizar essas criaturas?) indica que o expediente já acabou.

É isso! Finito! Game over! Uff!

Tristeza sem fim, sem muita saída, resta compartilhar com vocês essa trágica história... e esperar a invasão. Mas eu prometo que a cada nova aparição vou comprar, também, um enfeite novo, tipo uma blusinha, um sapato, talvez uma bolsa. Teoria da compensação! É justo, não é?!

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